Eutanásia ou assassinato?

Alcino Eduardo Bonella (UFU)

            A maioria de nós que acompanhou o noticiário está em tanto atônito com o que nos chega sobre a médica que supostamente cometia assassinatos ou omitia socorro deliberadamente, e com isso, matava ou deixava morrer pacientes sob seus cuidados. Isso é assassinato, homicídio qualificado. Não é eutanásia. Na pior das hipóteses, se a imprensa quer usar a expressão, deveria usar eutanásia involuntária, não eutanásia.

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Contra o aborto, mas a favor da legalização – resposta a Leandro Andrade

Lincoln Frias

Concordo os conservadores, sou contra o aborto. Quanto menos abortos melhor, pois a vida humana não deve ser banalizada e é melhor evitar  intervenções no corpo da mulher. Mas, ao contrário dos conservadores, acho que a decisão sobre abortar ou não deve ser da mulher. É um acontecimento no corpo dela. É a vida dela que vai ser drasticamente mudada com a chegada do filho. Além disso, como é muito fácil provocar um aborto, a proibição é ineficaz. Basta se trancar desesperada em um banheiro e enfiar uma agulha na vagina, arrumar um chá tóxico com alguma curandeira ou comprar pela internet um remédio que disseram que é bom para isso. Continuar lendo

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Em defesa da legalização do aborto – resposta a Leandro Andrade

Alcino Bonella – UFU

A posição apresentada no post anterior por Leandro Andrade, meu irmão de fé e amizade, é  sólida e respeitável. Ele pode estar certo e a minha posição ser falsa, mas as duas são frutos de cuidadoso pensamento sobre o assunto, que é delicado.

Penso que ninguém ou quase ninguém é a favor do aborto ou acha que ele é um bem, o que as pessoas defendem é o direito da mulher poder optar pelo aborto, querem é antes de mais nada descriminalizá-lo, e tratá-lo como questão de saúde pública. Pode-se ser contra o aborto e ainda ser a favor do direito ao aborto: é uma política melhor que pode diminuir os danos causados pela sua proibição, como por exemplo, diminuir mortes e danos à mulher, diminuir abortos em casos em que a mulher, se tivesse o direito de fazê-lo, pensasse melhor e com mais calma (e fosse ajudada a pensar sobre isso por uma equipe médica), decidindo ter o filho, eliminar dor no feto nos casos em que o aborto fosse tardio (depois de metade da gestação). Continuar lendo

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O CFM não deveria ter apoiado a legalização do aborto

Leandro Andrade 

Desde ontem, eu, um profissional de filosofia e católico, tenho tentado argumentar e apresentar as razões pelas quais eu sou contra a decisão do Conselho Federal de Medicina de manifestar apoio público ao aborto até a décima segunda semana da gestação. Após tantos debates, fui levado a também defender porque sou manifestamente contra o aborto.

As razões religiosas para minha posição contra o aborto são simples: acredito que a vida é sagrada e já está plenamente presente na concepção, assim como defendido desde os primeiros padres da Igreja Católica. Continuar lendo

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Todo trote é aceitável desde que seja divertido para quem assiste?

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64768_566080846758433_1938321105_nNa última semana, alguns veteranos do curso de Direito da UFMG aplicaram trotes brincando de escravidão e nazismo. Outro veterano disse que aquilo era brincadeira, não era racismo, “inclusive, o símbolo da nossa Atlética é um macacão”. Para saber se esse trote foi imoral e decidir o que deve ser feito com os veteranos, é preciso separar três questões: trotes em geral são aceitáveis? Brincadeiras com escravidão e nazismo são aceitáveis ou esses trotes são piores do que os outros? Os veteranos que fizeram o trote merecem algum tipo de punição?

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Psicocirurgia: os velhos problemas foram contornados, mas surgiram outros

Antonio De Salles, Neurocirurgia, University of California 

Lincoln Frias, pós-doc UFMG

Jorge Moll, Instituto D’Or

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A psicocirurgia tem uma péssima reputação. A destruição e o desligamento de tecido cerebral para tratar problemas mentais caíram em desgraça por causa de personagens polêmicas do passado, com suas lobotomias baseadas em indicações clínicas mal definidas e desrespeitando até mesmo práticas cirúrgicas primárias como assepsia e hemostase. Esses procedimentos eram irreversíveis, arriscados e muitas vezes feitos sem o adequado consentimento. Em muitos casos, as cirurgias reduziam drasticamente o bem-estar e a autonomia dos pacientes. Para evitar isso, os governos foram paulatinamente criando regulamentações rigorosas para esses tratamentos. Somando-se a isso os desenvolvimentos em psicofarmacologia, à psicocirurgia restou apenas o papel de último recurso em casos extremos. A questão moral que nos interessa é que o estigma e os estereótipos associados a esse tipo de tratamento se tornaram bastante inadequados diante dos avanços feitos pela medicina desde então. E muitas restrições que antes eram justificadas, agora estão prejudicando os pacientes.

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É certo criar e matar animais de laboratório?

Alcino Eduardo Bonella – UFU

Com surpresa algumas pessoas que estudam o tema da pesquisa científica com animais receberam a lei 11.794/08, aprovada no Senado e sancionada pelo presidente Lula para a experimentação animal, a chamada Lei Arouca. No texto não se reconhece quase nada das diretrizes internacionais que geralmente afirmam os famosos “três erres (3R)”: replacement (substituição), reducement(redução) e refinement (refinamento), sugeridos ainda em 1959 por Russel e Burch e, desde então, um marco na reflexão ética sobre o tema. 

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